MUNDO DOS CHÁS

Chá no Brasil e no Mundo

Os registros históricos contam que a planta do chá, a Camellia sinensis, foi descoberta na China, nos primórdios da humanidade. A lenda mítica contada pelo povo chinês é que nos idos de 2700 a.C. um de seus primeiros imperadores, Shennong (também conhecido como o pai da Agricultura e Fitoterapia) possuía um dom muito especial: seu estômago era transparente. Todos os dias Shennong experimentava várias plantas e conseguia ver os benefícios que cada uma delas fazia ao entrar em seu corpo, graças a este dom. Certo dia ele adormeceu em meio a floresta e ao acordar percebeu que algumas folhas desconhecidas haviam caído em sua água que estava esquentando no fogo. Curioso, resolveu experimentar e percebeu que estas folhas não só possuíam um sabor agradável como também eram extremamente benéficas. E assim o chá foi descoberto.

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Legenda: Shennong descobre o chá.

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Legenda: Rota do Chá e Cavalo, 1908 – uma das principais mercadorias nesta rota era o chá. Foto: Ernest Henry Wilson.

Através dos anos, em meio as rotas de comércio estabelecidas mundialmente, o chá foi ganhando o mundo. A princípio os países no oriente tiveram o contato com a planta e com o passar do tempo, ela chegou à Europa e ganhou outros continentes. O que outrora era um alimento, o chá se transformou em uma bebida social, sendo entitulada a “bebida nacional” do povo chinês por volta de 300 d.C.

Ao passar dos séculos a bebida provinda do chá foi se transformando, no começo tomada em pó e com sabor amargo, ela foi ganhando nuâncias e novos sabores, até chegar no padrão que conhecemos nos dias de hoje. Muitos países além da China também plantam e fabricam chás diversificados e únicos, contribuindo para o crescente mercado de chás especiais.

Chá no Brasil

Em 1812 Dom João VI, resolveu trazer ao Brasil o então mundialmente conhecido “chá preto”, para tentativa de cultivo no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, visando a exportação para o mercado europeu. Tendo dificuldades no cultivo da planta, em 1814 cerca de 300 imigrantes chineses foram trazidos para trabalhar na produção da Camellia sinensis, a planta do chá. Até 1830, colhia-se 340kg de chá por ano graças aos cuidados de Frei Leandro do Sacramento, um dos mais importantes cientistas do Brasil na época, responsável pela instituição naquele momento. Todo este empenho na produção do chá se foi com sua morte, em 1829, quando o Jardim Botânico ganhou outros rumos e João VI resolveu investir na plantação de café, uma cultura mais fácil de se adaptar ao país – onde o chá nunca realmente havia aflorado até então.

Das plantas de chá cultivadas no Rio (a variedade chinesa Camellia sinensis var. sinensis), mudas foram parar em São Paulo e Minas Gerais, algumas também chegando ao Paraná. Como a variedade chinesa da planta do chá não era propícia ao nosso país, ela foi trocada pela variedade indiana, a Camellia sinensis var. assamica, que com melhor adaptação ao nosso clima, prosperou.

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Legenda: Planta do Chá restante nos dias de hoje no Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

Chá em Registro

Conhecida como a “Capital do Chá”, Registro tornou-se oficialmente o Marco da Colonização Japonesa no Estado de São Paulo, conforme Decreto nº 50.652, de 30 de março de 2006, por ter sido a primeira localidade a receber imigrantes japoneses interessados em investir em produção própria neste Estado. Estes imigrantes tentaram o cultivo comercial do chá nos idos de 1918, através da variedade chinesa que havia sido trazida para estudos, sem grandes sucessos.

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Legenda: Plantação de Chá de Torazo Okamoto. Foto: museudaimigracao.org.br.

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Legenda: Chá Amaya para exportação, 2010. Foto: Alessandro Aoki

Em 1922, Torazo Okamoto trouxe para a região mudas da planta do chá que tiveram origem no Jardim Botânico do Rio, ainda a variedade chinesa, visando abastecer o consumo local por chá verde. A variedade tinha baixa produtividade e quando Okamoto regressou de uma viagem de navio pelo Japão, ao passar pelo Sri Lanka, ele visitou uma plantação de chá e obteve, a muito custo, algumas sementes da variedade indiana. Como não era permitido embarcar com as sementes, escondeu-as dentro de um pão e, na viagem de volta, conseguiu fazê-las germinar. Ao desembarcar no porto de Santos, Okamoto tinha em mãos 65 mudas de chá, que foram plantadas em 1935 e se adaptaram muito bem às condições da região – e são delas a origem das matrizes da variedade que se espalhou por Registro.

Durante as décadas de 50 a 80, a produção de chá nesta região aflorava, muito dela sendo exportada para grandes marcas internacionais. Com a valorização do Real, oscilações do mercado nacional e a necessidade da adequação para as novas certificações das empresas do ramo, as exportações caíram e a área do chá entrou em crise restando poucas empresas, sendo a Amaya Chás uma delas.

O Chá Especial

Ao passar dos anos o chá ganhou popularidade e status de bebida gourmet. No Brasil, a primeira loja de chás especiais foi a “Loja do Chá – Tee Gschwendner”, aberta em 1999 por Carla Saueressig. Hoje podemos ver o crescente aumento de empresas do ramo, oferecendo cada vez mais opções trazidas de todos os cantos do mundo.

Seguindo a demanda mundial em busca por chás de qualidade, a Amaya Chás está em pesquisas constantes, atualizando-se e produzindo os melhores chás no país, valorizando o nosso terroir e tradição, em uma história que está longe de ter fim.

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Legenda: Chá Preto e Verde da Amaya, 2014.